sábado, 25 de março de 2017

A dor e a saudade de mãos dadas

Não se passa um dia em que o esquecimento seja palavra de ordem. Posso esquecer nomes, um ou outro pedido, mas não esqueço as marcas profundas que a vida deixou na minha alma. Não posso esquecer, de maneira alguma, as dores que sinto, sem saber porquê, sem saber de quê.
O mesmo se passa com a saudade. Todos os dias, todos os santos dias, a dor e a saudade dão as mãos e vêm passear no meu peito. Por vezes, disfarçam-se com um triste sorriso, em que a tristeza passa despercebida... mas há alturas em que nada me acalma, nada me deixa disfarçar a mágoa.

Senti, no fundo da minha alma, o beijar da tua lâmina, fria e cruel, rasgando toda a minha tranquilidade. Desde então, esqueci-me o que é sentir a paz de quem ignora os males da vida.

domingo, 12 de março de 2017

Há coisas tão íntimas, tão nossas, que não devem ser faladas ou expostas. Num mundo como o actual, em que a sobre exposição é trendy, isso acaba por ser cada vez mais importante.
E, assim, vai sendo no mundo, tal como na vida. Vivemos oscilando entre batalhas de valores, que mudam consoante o que temos.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Gostava

Gostava de decifrar o teu olhar. Gostava de decifrar o teu sorriso. Gostava de decifrar tanta coisa nesta vida, como se tudo fosse um simples e bonito enigma, mas há coisas que ficam apenas pelo desejo - acredito que há pessoas que são desses objectos de un certo desejo, mas que ficam por aí.
Gostava de entender que marés te levam, que marés te trazem.
Gostava de entender que mágoas vejo no fundo do teu olhar.
Gostava de entender que mágoas queimam no fundo da minha alma, mas tem parecido algo impossível de conseguir.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Será que sabem?

Será que sabes realmente quem sou? Será que sabes de onde vim, o que eu já fiz, o que eu já passei? Nunca poderei esquecer, mas poderás nunca saber.
Pergunto-me muitas vezes, se valerá a pena desistir de tudo isto e mudar. Mudar o meu pensamento, face ao que já se passou, face ao que já se viveu, face ao que se deseja. E acho que não vale de muito, dado que não mudou o que sinto, nem o meu desejo de afastar-me. Afastar-me muito e cada vez mais. Afastar-me à distância de um braço esticado, de todo um oceano.
E as coisas que não fazem sentido, não terão sentido para outros? E as coisas que uns ambicionam, teremos que ambicioná-las todos? Teremos que ser iguais ou similares para nos querermos bem? Teremos que desejar todos o mesmo, para que possa existir entendimento entre nós?
Não sei o que é que me tem trazido preso a este sentimento. Não sei o que é que tem feito com me prenda a esta saudade de um passado cada vez mais distante, tentando abraçá-lo, tentando salvá-lo das águas negras e geladas do lago da vida. Como se quisesse abraçar o cadáver do que já fui.
Será que sabem o que já fiz a mim próprio? Será que sabem o quanto desejei a morte, o quanto brinquei com ela? Será que sabem quantas lâminas fizeram carícias aos meus brancos braços, pernas, ombros? Será que sabem quanta dor procurei, para me aguentar? Será que sabem quantas mágoas calei (e ainda calo)? E quantas vezes fui criticado por expor o que me magoava? E por esconder o mesmo?
Vale-me mais manter o afastamento. Vale-me mais a distância de ti, quem quer que sejas, vale-me muito mais a força do isolamento, o endurecimento da alma, por não ter para onde se virar, para onde se esconder. Vale-me tão mais isto, estes recantos próprios, controlados, em que entra quem quero, que vêm o que quero, se quero ou quando quero. Vale-me mais ser só, sem mentiras, nem enganos. Vale-me muito mais ser feliz por conta própria.

Não interessa

Não interessam os dias que passem. Não interessa como se preencham as horas. Acaba por ser um tédio imenso, este de viver numa busca constante, sem saber aquilo por que se procura.
Não importa quão boas sejam as piadas. Não interessa o interesse das pessoas. Não interessam os sorrisos. Não interessam os dias de chuva torrencial ou de sol abrasador. Este tédio é imenso e é uma companhia de muitos anos e de muitos momentos a sós, em que as pessoas me rodeiam e eu sinto-me sozinho, morrendo lentamente, enquanto saboreio a vida. Lambo os lábios, como se provasse o mais delicioso dos néctares, mas é a vida que sabe bem. E sabe mal. Agridoce é o gosto da primavera e de cinzas na minha boca, na boca do meu ser, na boca da minha alma.
Os dias podem ser calmos. O meu olhar sereno pode esconder uma imensa tempestade, lá dentro, no mais íntimo do meu coração. O tédio pode reflectir-se nos meus suspiros repentinos.
Um dia calmo pode terminar na merda. Um dia de merda, pode tornar-se um dia excelente. O mar calmo pode engolir embarcações gigantescas. O mar revolto pode guardar carinhosamente as preces que nele são debitadas.
A minha alma é feita de fogo e de lágrimas, de intenso gosto de viver e do profundo abraço à morte. A minha alma é uma imensa contradicção. E nesta contradicção, perco-me... sem encontrar-me...
Não interessa nada, se nada, na minha alma, muda.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Doce melancolia

Doce melancolia,
Que me mata e consome aos poucos, que dentre tantos sentimentos, é o único que nunca me abandona, o mais entranhado na minha alma, no meu olhar perdido no horizonte, nos calmos suspiros, nas caminhadas loucas e sem rumo pelas ruas da minha cidade, na angústia que chega de leve, no silêncio da noite, na penumbra do meu olhar.
Doce melancolia,
Que me corrói, que não vai nunca, que fica no gosto do chocolate, no fumo do cigarro e nos jeitos tresloucados com que gesticulo pelos espaços. 
Doce melancolia,
Que me transporta para os sonhos mais doces, que me traz o amargo gosto da saudade, que me faz admirar a morte que o Inverno transparece, que me faz morrer face ao mar, em estranhas e incompreensíveis orações, à voz de Deus no canto marítimo na falésia que sonho e anseio. 
Doce melancolia,
Fica comigo mais um pouco.

Vivamos

Já aprendemos isto, não foi? Já dissemos "até amanhã", sem que houvesse o amanhã para um de nós. Já imaginámos que teríamos mais um dia, mais uma semana, um mês ou um ano, sem que tal chegasse a haver.
Viver implica muito mais que amar, rir, que pensar que cada dia possa ser o último. Viver, viver verdadeiramente, é nem sequer imaginar que aquele possa ser o nosso último dia. É nem sequer nos lembrarmos que possa não haver uma outra noite, que possa não haver um outro amor, uma outra gargalhada. Viver é rodearmo-nos de amigos e rir até doer a barriga, comer e beber, sentir tudo com toda a intensidade. Viver é bom e viver é lindo, mas viver e sentir, pode ser uma terrível maldição. Viver e saber o que se perdeu, não conseguir, não poder esquecer, pode ser uma das dores maiores que um pode ter.
Já aprendemos muito, não foi?
Continuemos a aprender. A querer. A desejar. A sonhar. A amar. A rir. A comer e beber, com os amigos, com a família. Continuemos a ser quem somos, não importa quem, nem o quê.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Porque escrevo sobre o que não devia escrever

Há coisas sobre as quais já deveria ter desistido de escrever.
Há coisas sobre as quais não falo, senão quando o assunto é puxado, como um bafo numa ganza.
Há coisas que parecem que insistem em cruzar as nossas vidas, como se quisessem dar razão à opinião dos outros.
No final de contas, acabo sempre por escrever sobre aquilo que deveria deixar quieto, porque há um comentário aqui ou ali, porque há quem há-de aparecer e perguntar por essas coisas. Antevendo o que acontecerá, adivinhando as minhas reacções interiores, escrevo. Escrevo muito. Escrevo para purgar a minha alma dos efeitos nocivos, daquilo que acham que é bem, que é por bem.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sabes?

Sabes?
Saberás?
Alguma vez imaginaste, sequer?

Eu pondero cada vez menos nas coisas. Quero é viver em sossego, longe de palpitações, longe de verdades, longe de mentiras. Quero, apenas, viver, sentir o vento na cara, sentir o calor de um fogueira no inverno, passar despercebido por entre as gentes. E, mesmo que me olhem, que não me vejam passar.

Sabes? Eu queria tanto desta vida. Mas agora... só quero a quietude de um fim de tarde, lá numa aldeia remota, distante de tudo isto, de toda esta vida da cidade, de toda esta existência cheia de loucura, palavras, olhares, sorrisos.
O mar bate na areia. No meu imaginário, será nas rochas, lá em baixo, da falésia, enquanto o horizonte se funde com o vasto oceano. E serei eu, o mar e o vento.

A sós, a ouvir música, a apreciar a solidão

Ouço a música (Lisa Gerrard "Redemption II").
Estou sentado no sofá, a fumar um cigarro. Aprecio este momento a sós. Como se nada mais houvesse no mundo, senão eu, a voz de Lisa Gerrard e o meu cigarro.
A sensação solitária. Agridoce.
Precisava de mais. Queria mais. Até que esse mais começou a parecer demais e reduzi-me a isto, a estes instantes a sós, de música que só eu sinto, que só eu compreendo, lá bem no meu íntimo.
Queria mais. E, como se se passassem séculos, milénios por mim, tornei-me numa dessas estátuas que duram séculos, milénios, escondidas pelas areias do tempo, longe de olhares alheios. Uma cruel realidade, de um tempo há muito ido, há muito esquecido.
Ouço e sinto a música. E, perante ela, sinto-me reduzido à insignificância da minha prisão de carne, que dizem ser um corpo, onde habitam milhões de células, reacções químicas, sentimentos e o raio que parta tudo isto.
Estou a sós. Aprecio estes momentos. Aprecio esta solidão.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Podia estar a escrever da rua

Poderia estar a escrever isto da rua, de onde acabo de chegar.
Poderia estar a escrever de um dos cantos escuros, por entre discussões ou conversas mais altas. Não prestar atenção ao que se passa à minha volta. Mas isso seria demais.
Tenho ganho uma renovada confiança, sob vários aspectos. Olhar fixamente as coisas. Observar. Atingir um estado quase distante, mas presente. Manter o foco. Conversar ou escutar e observar do meu canto. Absorver os seus comportamentos, como o álcool os faz agir.
Antes, chegava a ter medo. Hoje em dia, sou parte daquilo.
Antes, temia mais. Hoje, estou consoante.
Soubesses como eu vejo e como eu sinto. Soubesses como, sob aquela fragilidade toda, existe algo mais forte, que face ao receio, enfrenta as noites de frente e muito do que receou.
Hoje, queria que me visses, orgulhosamente, em meio a toda a confusão. Impávido e sereno, absorvendo os gostos da noite.
Receios de outros dias, ainda são existentes. Ainda são uma realidade dentro de mim. Mas estou firme. Estou firme.
Sorri. E sorrirei, ou talvez não sorria de volta. Depende de mim e das minhas fases de lua. Mas estarei, firme.
Poderia estar a escrever da rua. E a fazer mais sentido.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Conversas

Olá.
Está tudo bem? Espero que sim. Espero, mesmo.
Que tens feito? O de sempre? Casa, trabalho; trabalho casa? Isso é mau. Mas eu também não mudo muito as coisas. Practicamente, só tenho saído à noite, para trabalhar no café. Pois. É fodido.
Bem, xau. Até amanhã.

Serão estas as minhas futuras conversas?

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Será que me lês?

Será que me lês e é por isso que te preocupas?
Será que me lês e por aí falas as coisas que falas?
Será que me lês, sequer?

Em ilusão

Tens-me elevado. Mas quem és tu? De quem escrevo? Para quem escrevo? Será para ti que lês? Será para ele, que vive livremente, sem sequer pensar que eu existo?
Tens-me elevado. E eu escrevo. Escrevo, porque escrever equilibra-me nestes dias, em que estou desiquilibrado, em que é mais forte a vontade de correr as noites, de silenciar o mundo, calar o que se pensa. Tens-me elevado, mas mesmo assim, não elevas a alma, a ponto a que ela não se feche, para que ela não se deseje escuridão e posterior esquecimento. Tens-me feito bem, mas eu não consigo sobrevoar essa floresta negra, tão negra, sem ter que percorrê-la - dor e amargura, escolho caminhar pelas ruas da minha cidade, enquanto se eleva a escuridão dentro de mim, a névoa que te envolve. Prefiro percorrer a minha aldeia, a mata, a conhecer. A conhecer gente nova, a dar de mim a gente nova. Prefiro o silêncio do cemitério, à força infindável desse olhar, ao bater do teu coração. Ou do coração dele? Ou ao coração de quem quer que seja?
As horas passam e a minha imaginação deleita-se em ti, nos teus traços.
Fumo um cigarro e deixo fluir a imaginação.
Sabes? Tens elevado qualquer coisa de boa em mim. Não sei o quê, mas há sempre algo de bom e enternecedor nesse teu jeito - e eu serei sempre uma criatura de sombras, de trevas, alimentando-me da noite. Serei sempre a criatura esquiva, saída das trevas para se alimentar.
Acendes uma vela. Aroma de incenso. E eu percorro os corredores da noite, qual assombração, imaginando-te por aí.
Escrevo. Escrevo para mim, em jeito de devaneio, sem que saiba a quem se destinam as palavras ternas. A noite assoma-se ao meu peito e eu tremo de ilusão. E é em ilusão que me encontro - sem me perder.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sonho

Sonho. Sonho com terras distantes, com outros tempos, com outras eras. Sonho com palácios e com sombras de cortinas esvoaçantes, dançando com o vento que chega do deserto.
Sonho. Sonho com os corpos nus, dançando pelas alas dos palácios. Dançando ao ritmo da música que chega de lá de fora, dos músicos da cidade, das músicas do mesmo deserto, que passei a vida a sonhar e a amar. Sem saber. Sem querer saber.
Sonho. E enquanto vou sonhando, vou perdendo a esperança. Porque enquanto sonho, sonho contigo. E enquanto quanto sonho contigo, vais vivendo a tua vida, longe, cada vez mais longe.
Sonho. E escrevo. Escrevo por mim, para mim; vivo no desejo, vivo no sonho. E há verde dum lado, deserto do outro e, algures, encontra-se o mar. Tu. E eu. Cada um do seu lado, mas é o mar que me chama, é o mar que ama, é deserto em que me perco. É no deserto que me perco, nos meus sonhos, é no verde da mata que caminho à toa, é junto ao mar, ouvindo a sua canção, que entôo orações silenciosas, como se fosse o ouvido de Deus.

Um dia despertei. E quis não despertar do sonho.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não sei

Não sei já: por onde andei, quem amei (ou se amei), se tenho a alma aberta, se sonhos há por que valha a pena lutar.
Não sei o que dizer, não sei o que escrever. Só sei que sinto. Sinto muito e, no meu rosto, fica a seriedade de um dia de Inverno.
Amanhã é um novo dia. Daqui a pouco, tenho que ir trabalhar. E levo, dentro de mim, a certeza de que não sei. E de crer que nunca saberei.

Ilusão

Até que nos apercebemos de que não passa de uma ilusão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ainda não faz sentido

Ainda não sei. Não sei.
Parece. Deixa de parecer. Depois, parece uma vez mais.
Passam os dias. E sem saber o que se passa, traço gestos vagos pelo espaço do quarto. O fumo do incenso, dança à passagem da minha mão.
Ainda não sei.
Não sei qual é o propósito desta vida, qual é o propósito de estar aqui. Neste momento, o propósito é preparar-me e sair para trabalhar. Os devaneios, os pensamentos, podem aguardar umas horas. Podem demorar-se, enquanto lavo loiças e atendo o público.
Ainda não faz sentido.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Atordoamento

Aquele raro momento, em que me deixam atordoado com o que me dizem. Em que me deixam atordoado com as perguntas que me fazem. Em que vou a ler qualquer coisa e não consigo concentrar-me.
Aí está qualquer coisa, que não acontece todos os dias...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma personalidade fragmentada

Não sei porque insisto em fazer leituras, antes de escrever. Atrofia-me a cabeça toda, deixa-me sem saber o que escrever ou esquecido do que ia escrever. Não sei para que insisto. 
Fui descobrindo um ou outro blog, lendo aqui e ali, coisas de que gosto, coisas de não gostei tanto. Fui descobrindo novos bloggers, novas maneiras de ver as coisas, de agir e pensar face a elas. E isso tem sido bom, refrescante. Mas não preenche um vazio, que venho sentindo de há uns tempos para cá. Vazio esse, que tem-se reflectido das mais variadas formas. 
Hoje, pensei no curioso desdobrar da minha personalidade. E o melhor para com isso, tem a ver com o Twitter e com o Tumblr. Tenho duas contas de cada, uma que poderia ser dita "normal", só que quem pode definir o normal? Entretanto, por outro lado, tenho outra orientada à pornografia gay. E tenho visto que, nestas últimas, sou muito mais cru, muito mais verdadeiro, muito mais intimista, do que naquilo que chamaria de "normal". Talvez por escolher viver na penumbra, essa mesma penumbra que um certo anonimato me permite, sou muito mais eu. 
Ultimamente, tenho tido imensos pensamentos, sobre as mais variadas coisas, sem que, no fim, chegue a qualquer conclusão. Acabo por viver dividido, fragmentado, entre o orgulho e a vergonha, sem que nada atenue a sensação de vazio. O vazio continua ali. Não sei. Não sei porquê, sem ser uma maior estabilidade (outro trabalho, mais dinheiro), não entendo que possa originar esta sensação de vazio. 
(Há pessoas que tentariam debater esta sensação, com a falta de alguém. De tempos a tempos, recordam-se que sou só e tentam, infrutíferamente, fazer-me entrar na ideia de que tenho que arranjar alguém. Toda a minha vida fui só, passei pelas piores fases da minha vida sozinho e afastei todos, enquanto atravessava as maiores tempestades da minha vida. Ninguém vai preencher aquilo que está no mais intimo de mim.)
Sinto este vazio. Sinto uma espécie de angústia, que não tem quê, nem porquê. Uma personalidade fragmentada, dividida entre o socialmente aceite e a poesia pornográfica, da mais pura e crua que possa existir. E não consigo encontrar un ponto de equilíbrio. 
Escrevo para lidar com as coisas, para não enlouquecer de vez. Mas, bem lá no fundo, talvez não fosse mau de todo enlouquecer, deixar de ter a noção gritante que tenho das coisas. 

Os jogos e a vida

Eles acham-se mais. E acham-se melhores.
Contudo, em jogos que são de pares, que se jogam calados, quando o teu parceiro dá a entender o jogo que está a fazer ou em que oferece, constantemente, o jogo aos adversários, torna-se difícil de conseguires evoluir.
O mesmo acontece com a vida: aqueles que devem ajudar-te, continuam a puxar-te para baixo, logo torna-se difícil de conseguires erguer-te!

Rancor

Ando a guardar pequenos rancores de gente, por cenas mínimas, que ainda provoca. Talvez não valha a pena, mas sou assim.

Censura

Desculpem lá qualquer coisinha, sim? É que há merdas que me dão uma comichão do caralho e, como rôo as unhas, não consigo coçar.
Escrevi esse texto, depois de alguma ponderação. Ponderei se o fazia, se não o fazia e pensei: "para o caralho com isto, vamos lá escrever esta merda". De modo que, sim, escrevi isto, porque anda muita hipocrisia neste mundo. Mas também existem muitos que falam bué e não fazem um caralho, ou que são burros como uma porta e mostram-no ao mundo.
A censura está viva, de saúde e, parece-me, recomenda-se.