quarta-feira, 24 de maio de 2017

Palavras de madrugada.
Luzes néon. Arcadas mal iluminadas de um prédio qualquer.
Calor.
Vozes que se perdem na noite.
Quantos cenários passam pela minha mente, mas sempre, sempre se interpõe o pensamento de certas palavras, certas atitudes. A noite tinha tudo para ser ideal. Não fosse o devaneio maldito.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quantas palavras escreveria...

Agora, se soubesse como descrever aquilo que sinto.
Chove. Faz sol. As nuvens cobrem o sol, fica frio. Chove de novo.
Estes dias não se tornam mais fáceis, mas são suportáveis. Faltam elementos, entre eles, tu, que foste com o mar, na semana passada. Deus, fazes tanta falta...
Estes dias foram horríveis, mas também trouxeram muitas coisas boas. Não sei se um dia após o outro será tão mau, como se possa pensar.
Não sei de nada, neste momento.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Daqui a nada...

Recebo uma daquelas mensagens a dizer: Bruno, vai dormir.

Nem tudo vale a pena.

Eu poderia escrever de emoções, escrever de sentimentos. Poderia falar, escrever de qualquer coisa que (se) sentisse.
Eu poderia deixar fluir o meu pensamento, deixar que saíssem devaneios desordenados, escrever um longo texto sem qualquer sentido - preferi calar-me, cortando o texto com um facto. E não me bastou.
Poderia escrever de coisas que vejo, coisas que vivo, gente que vejo, que encontro, que sirvo. Poderia escrever de gente que olho, com quem falo, que simplesmente cumprimento. Poderia falar daqueles que fazem a minha mente vacilar. Poderia falar de tantas pessoas, escrever tantas pessoas,
Poderia falar de coisas que já nem sei como se fazem. Poderia escrever sobre aqueles momentos que nem recordo ter vivido.
Poderia falar das noites de pensamentos suicidas, remexer no cadáver fétido de certa emoção, sem que fizesse bem algum.
No fim de contas, divago sobre tantas coisas. Mas não vale a pena. Porque o poeta estava errado: nem tudo vale a pena.

sábado, 22 de abril de 2017

Não contem comigo

Entendam que não ando para satisfazer todas as vossas vontades, nem todas as vossas necessidades. Sou o melhor, no sentido em que vos satisfaço )e tiro satisfação disso), em que guardo segredos, que são o melhor para todos os envolvidos, mas tenho, também, as minhas vontades, os meus desejos.
Não contem comigo, se posso apenas contar convosco quando vocês querem ou precisam.

domingo, 2 de abril de 2017

Não escrevo só sobre lamentos.
Há alturas em que escrevo sobre mim, sobre alguém, meramente para escrever ou para libertar-me de certos pensamentos.
Agradeço que nem todos os dias sejam de angústia. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Não sei o que há a dizer

Não sei bem o que há ainda a dizer. Sinto que tudo o que poderia ser dito, já foi dito há imenso tempo. Como se todos os versos das madrugadas envoltas em fumo de cigarros já tivessem sido escritos; sinto que não resta uma só sombra de alma que não tenha sido escrutinada em análise a versos, a prosa confessional; sinto que não há qualquer estado de espírito que não tenha sido violado por olhares alheios; sinto como se não existisse qualquer palavra para descrever um sentimento que teima em não cessar. E são estas as horas de tédio, de mórbido desejo, em que anseio por um pouco de paz (uma dádiva da morte? ), que me trazem o anseio de caminhar junto ao mar, de ouvi-lo a cantar, lá de cima da falésia.
A noite irá alta. Sabe Deus quantas horas já não orei, rosto enfrentando o mar frio e zangado, enquanto mantínhamos um diálogo incompreensível para os demais. 
O fumo dos meus cigarros preenche os espaços, sem preocupação, sem remorsos. E a minha alma banha-se no sangue das vítimas inocentes, que dentro de si arrasta. 
Não sei bem o que há ainda a dizer. Não sei bem o que tanto me preocupa, não sei o que tanto consome a minha alma, em horas de ansiedade, de uma angústia que não pára, que não cala a sua voz dentro de mim. 

Há amores que não se explicam

Não me interessa o que pensem, o que digam. 
Não me interessa quantos cães ladrem ou quanto filhos da puta cuspam no teu nome (pena que não posso matá-los).
Não me interessa o que achem. 
Posso não ser daqueles teus filhos ideais. Posso não saber de toda a tua História, posso não recordar-me dos dias importantes, posso não ser mais que um grão de areia... 
Não me quero longe de ti. Não me quero afastado de ti. 
Queria ser poeta e transformar-te num poema que durasse pela eternidade. Queria ser algo mais, algo maior nascido de ti, criado por ti e para ti, servir-te num bem muito maior. Queria declamar este meu amor, gritá-lo a todo o Universo, que todos soubessem o teu nome, que todos te olhassem com reverência, que baixassema cabeça ao ouvirem ou ao pronunciarem o teu nome. 
Há coisas que não se explicam. E este meu amor por ti, é dessas coisas: não se explicam, não se justificam - nasce-se, vive-se e morre-se com ele. 
Amo-te, meu Portugal amado e adorado. Amo-te e orgulho-me de ser teu filho, não importa quão imperfeito eu seja. 

sábado, 25 de março de 2017

A dor e a saudade de mãos dadas

Não se passa um dia em que o esquecimento seja palavra de ordem. Posso esquecer nomes, um ou outro pedido, mas não esqueço as marcas profundas que a vida deixou na minha alma. Não posso esquecer, de maneira alguma, as dores que sinto, sem saber porquê, sem saber de quê.
O mesmo se passa com a saudade. Todos os dias, todos os santos dias, a dor e a saudade dão as mãos e vêm passear no meu peito. Por vezes, disfarçam-se com um triste sorriso, em que a tristeza passa despercebida... mas há alturas em que nada me acalma, nada me deixa disfarçar a mágoa.

Senti, no fundo da minha alma, o beijar da tua lâmina, fria e cruel, rasgando toda a minha tranquilidade. Desde então, esqueci-me o que é sentir a paz de quem ignora os males da vida.

domingo, 12 de março de 2017

Há coisas tão íntimas, tão nossas, que não devem ser faladas ou expostas. Num mundo como o actual, em que a sobre exposição é trendy, isso acaba por ser cada vez mais importante.
E, assim, vai sendo no mundo, tal como na vida. Vivemos oscilando entre batalhas de valores, que mudam consoante o que temos.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Gostava

Gostava de decifrar o teu olhar. Gostava de decifrar o teu sorriso. Gostava de decifrar tanta coisa nesta vida, como se tudo fosse um simples e bonito enigma, mas há coisas que ficam apenas pelo desejo - acredito que há pessoas que são desses objectos de un certo desejo, mas que ficam por aí.
Gostava de entender que marés te levam, que marés te trazem.
Gostava de entender que mágoas vejo no fundo do teu olhar.
Gostava de entender que mágoas queimam no fundo da minha alma, mas tem parecido algo impossível de conseguir.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Será que sabem?

Será que sabes realmente quem sou? Será que sabes de onde vim, o que eu já fiz, o que eu já passei? Nunca poderei esquecer, mas poderás nunca saber.
Pergunto-me muitas vezes, se valerá a pena desistir de tudo isto e mudar. Mudar o meu pensamento, face ao que já se passou, face ao que já se viveu, face ao que se deseja. E acho que não vale de muito, dado que não mudou o que sinto, nem o meu desejo de afastar-me. Afastar-me muito e cada vez mais. Afastar-me à distância de um braço esticado, de todo um oceano.
E as coisas que não fazem sentido, não terão sentido para outros? E as coisas que uns ambicionam, teremos que ambicioná-las todos? Teremos que ser iguais ou similares para nos querermos bem? Teremos que desejar todos o mesmo, para que possa existir entendimento entre nós?
Não sei o que é que me tem trazido preso a este sentimento. Não sei o que é que tem feito com me prenda a esta saudade de um passado cada vez mais distante, tentando abraçá-lo, tentando salvá-lo das águas negras e geladas do lago da vida. Como se quisesse abraçar o cadáver do que já fui.
Será que sabem o que já fiz a mim próprio? Será que sabem o quanto desejei a morte, o quanto brinquei com ela? Será que sabem quantas lâminas fizeram carícias aos meus brancos braços, pernas, ombros? Será que sabem quanta dor procurei, para me aguentar? Será que sabem quantas mágoas calei (e ainda calo)? E quantas vezes fui criticado por expor o que me magoava? E por esconder o mesmo?
Vale-me mais manter o afastamento. Vale-me mais a distância de ti, quem quer que sejas, vale-me muito mais a força do isolamento, o endurecimento da alma, por não ter para onde se virar, para onde se esconder. Vale-me tão mais isto, estes recantos próprios, controlados, em que entra quem quero, que vêm o que quero, se quero ou quando quero. Vale-me mais ser só, sem mentiras, nem enganos. Vale-me muito mais ser feliz por conta própria.

Não interessa

Não interessam os dias que passem. Não interessa como se preencham as horas. Acaba por ser um tédio imenso, este de viver numa busca constante, sem saber aquilo por que se procura.
Não importa quão boas sejam as piadas. Não interessa o interesse das pessoas. Não interessam os sorrisos. Não interessam os dias de chuva torrencial ou de sol abrasador. Este tédio é imenso e é uma companhia de muitos anos e de muitos momentos a sós, em que as pessoas me rodeiam e eu sinto-me sozinho, morrendo lentamente, enquanto saboreio a vida. Lambo os lábios, como se provasse o mais delicioso dos néctares, mas é a vida que sabe bem. E sabe mal. Agridoce é o gosto da primavera e de cinzas na minha boca, na boca do meu ser, na boca da minha alma.
Os dias podem ser calmos. O meu olhar sereno pode esconder uma imensa tempestade, lá dentro, no mais íntimo do meu coração. O tédio pode reflectir-se nos meus suspiros repentinos.
Um dia calmo pode terminar na merda. Um dia de merda, pode tornar-se um dia excelente. O mar calmo pode engolir embarcações gigantescas. O mar revolto pode guardar carinhosamente as preces que nele são debitadas.
A minha alma é feita de fogo e de lágrimas, de intenso gosto de viver e do profundo abraço à morte. A minha alma é uma imensa contradicção. E nesta contradicção, perco-me... sem encontrar-me...
Não interessa nada, se nada, na minha alma, muda.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Doce melancolia

Doce melancolia,
Que me mata e consome aos poucos, que dentre tantos sentimentos, é o único que nunca me abandona, o mais entranhado na minha alma, no meu olhar perdido no horizonte, nos calmos suspiros, nas caminhadas loucas e sem rumo pelas ruas da minha cidade, na angústia que chega de leve, no silêncio da noite, na penumbra do meu olhar.
Doce melancolia,
Que me corrói, que não vai nunca, que fica no gosto do chocolate, no fumo do cigarro e nos jeitos tresloucados com que gesticulo pelos espaços. 
Doce melancolia,
Que me transporta para os sonhos mais doces, que me traz o amargo gosto da saudade, que me faz admirar a morte que o Inverno transparece, que me faz morrer face ao mar, em estranhas e incompreensíveis orações, à voz de Deus no canto marítimo na falésia que sonho e anseio. 
Doce melancolia,
Fica comigo mais um pouco.

Vivamos

Já aprendemos isto, não foi? Já dissemos "até amanhã", sem que houvesse o amanhã para um de nós. Já imaginámos que teríamos mais um dia, mais uma semana, um mês ou um ano, sem que tal chegasse a haver.
Viver implica muito mais que amar, rir, que pensar que cada dia possa ser o último. Viver, viver verdadeiramente, é nem sequer imaginar que aquele possa ser o nosso último dia. É nem sequer nos lembrarmos que possa não haver uma outra noite, que possa não haver um outro amor, uma outra gargalhada. Viver é rodearmo-nos de amigos e rir até doer a barriga, comer e beber, sentir tudo com toda a intensidade. Viver é bom e viver é lindo, mas viver e sentir, pode ser uma terrível maldição. Viver e saber o que se perdeu, não conseguir, não poder esquecer, pode ser uma das dores maiores que um pode ter.
Já aprendemos muito, não foi?
Continuemos a aprender. A querer. A desejar. A sonhar. A amar. A rir. A comer e beber, com os amigos, com a família. Continuemos a ser quem somos, não importa quem, nem o quê.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Porque escrevo sobre o que não devia escrever

Há coisas sobre as quais já deveria ter desistido de escrever.
Há coisas sobre as quais não falo, senão quando o assunto é puxado, como um bafo numa ganza.
Há coisas que parecem que insistem em cruzar as nossas vidas, como se quisessem dar razão à opinião dos outros.
No final de contas, acabo sempre por escrever sobre aquilo que deveria deixar quieto, porque há um comentário aqui ou ali, porque há quem há-de aparecer e perguntar por essas coisas. Antevendo o que acontecerá, adivinhando as minhas reacções interiores, escrevo. Escrevo muito. Escrevo para purgar a minha alma dos efeitos nocivos, daquilo que acham que é bem, que é por bem.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sabes?

Sabes?
Saberás?
Alguma vez imaginaste, sequer?

Eu pondero cada vez menos nas coisas. Quero é viver em sossego, longe de palpitações, longe de verdades, longe de mentiras. Quero, apenas, viver, sentir o vento na cara, sentir o calor de um fogueira no inverno, passar despercebido por entre as gentes. E, mesmo que me olhem, que não me vejam passar.

Sabes? Eu queria tanto desta vida. Mas agora... só quero a quietude de um fim de tarde, lá numa aldeia remota, distante de tudo isto, de toda esta vida da cidade, de toda esta existência cheia de loucura, palavras, olhares, sorrisos.
O mar bate na areia. No meu imaginário, será nas rochas, lá em baixo, da falésia, enquanto o horizonte se funde com o vasto oceano. E serei eu, o mar e o vento.

A sós, a ouvir música, a apreciar a solidão

Ouço a música (Lisa Gerrard "Redemption II").
Estou sentado no sofá, a fumar um cigarro. Aprecio este momento a sós. Como se nada mais houvesse no mundo, senão eu, a voz de Lisa Gerrard e o meu cigarro.
A sensação solitária. Agridoce.
Precisava de mais. Queria mais. Até que esse mais começou a parecer demais e reduzi-me a isto, a estes instantes a sós, de música que só eu sinto, que só eu compreendo, lá bem no meu íntimo.
Queria mais. E, como se se passassem séculos, milénios por mim, tornei-me numa dessas estátuas que duram séculos, milénios, escondidas pelas areias do tempo, longe de olhares alheios. Uma cruel realidade, de um tempo há muito ido, há muito esquecido.
Ouço e sinto a música. E, perante ela, sinto-me reduzido à insignificância da minha prisão de carne, que dizem ser um corpo, onde habitam milhões de células, reacções químicas, sentimentos e o raio que parta tudo isto.
Estou a sós. Aprecio estes momentos. Aprecio esta solidão.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Podia estar a escrever da rua

Poderia estar a escrever isto da rua, de onde acabo de chegar.
Poderia estar a escrever de um dos cantos escuros, por entre discussões ou conversas mais altas. Não prestar atenção ao que se passa à minha volta. Mas isso seria demais.
Tenho ganho uma renovada confiança, sob vários aspectos. Olhar fixamente as coisas. Observar. Atingir um estado quase distante, mas presente. Manter o foco. Conversar ou escutar e observar do meu canto. Absorver os seus comportamentos, como o álcool os faz agir.
Antes, chegava a ter medo. Hoje em dia, sou parte daquilo.
Antes, temia mais. Hoje, estou consoante.
Soubesses como eu vejo e como eu sinto. Soubesses como, sob aquela fragilidade toda, existe algo mais forte, que face ao receio, enfrenta as noites de frente e muito do que receou.
Hoje, queria que me visses, orgulhosamente, em meio a toda a confusão. Impávido e sereno, absorvendo os gostos da noite.
Receios de outros dias, ainda são existentes. Ainda são uma realidade dentro de mim. Mas estou firme. Estou firme.
Sorri. E sorrirei, ou talvez não sorria de volta. Depende de mim e das minhas fases de lua. Mas estarei, firme.
Poderia estar a escrever da rua. E a fazer mais sentido.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Conversas

Olá.
Está tudo bem? Espero que sim. Espero, mesmo.
Que tens feito? O de sempre? Casa, trabalho; trabalho casa? Isso é mau. Mas eu também não mudo muito as coisas. Practicamente, só tenho saído à noite, para trabalhar no café. Pois. É fodido.
Bem, xau. Até amanhã.

Serão estas as minhas futuras conversas?

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Será que me lês?

Será que me lês e é por isso que te preocupas?
Será que me lês e por aí falas as coisas que falas?
Será que me lês, sequer?

Em ilusão

Tens-me elevado. Mas quem és tu? De quem escrevo? Para quem escrevo? Será para ti que lês? Será para ele, que vive livremente, sem sequer pensar que eu existo?
Tens-me elevado. E eu escrevo. Escrevo, porque escrever equilibra-me nestes dias, em que estou desiquilibrado, em que é mais forte a vontade de correr as noites, de silenciar o mundo, calar o que se pensa. Tens-me elevado, mas mesmo assim, não elevas a alma, a ponto a que ela não se feche, para que ela não se deseje escuridão e posterior esquecimento. Tens-me feito bem, mas eu não consigo sobrevoar essa floresta negra, tão negra, sem ter que percorrê-la - dor e amargura, escolho caminhar pelas ruas da minha cidade, enquanto se eleva a escuridão dentro de mim, a névoa que te envolve. Prefiro percorrer a minha aldeia, a mata, a conhecer. A conhecer gente nova, a dar de mim a gente nova. Prefiro o silêncio do cemitério, à força infindável desse olhar, ao bater do teu coração. Ou do coração dele? Ou ao coração de quem quer que seja?
As horas passam e a minha imaginação deleita-se em ti, nos teus traços.
Fumo um cigarro e deixo fluir a imaginação.
Sabes? Tens elevado qualquer coisa de boa em mim. Não sei o quê, mas há sempre algo de bom e enternecedor nesse teu jeito - e eu serei sempre uma criatura de sombras, de trevas, alimentando-me da noite. Serei sempre a criatura esquiva, saída das trevas para se alimentar.
Acendes uma vela. Aroma de incenso. E eu percorro os corredores da noite, qual assombração, imaginando-te por aí.
Escrevo. Escrevo para mim, em jeito de devaneio, sem que saiba a quem se destinam as palavras ternas. A noite assoma-se ao meu peito e eu tremo de ilusão. E é em ilusão que me encontro - sem me perder.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sonho

Sonho. Sonho com terras distantes, com outros tempos, com outras eras. Sonho com palácios e com sombras de cortinas esvoaçantes, dançando com o vento que chega do deserto.
Sonho. Sonho com os corpos nus, dançando pelas alas dos palácios. Dançando ao ritmo da música que chega de lá de fora, dos músicos da cidade, das músicas do mesmo deserto, que passei a vida a sonhar e a amar. Sem saber. Sem querer saber.
Sonho. E enquanto vou sonhando, vou perdendo a esperança. Porque enquanto sonho, sonho contigo. E enquanto quanto sonho contigo, vais vivendo a tua vida, longe, cada vez mais longe.
Sonho. E escrevo. Escrevo por mim, para mim; vivo no desejo, vivo no sonho. E há verde dum lado, deserto do outro e, algures, encontra-se o mar. Tu. E eu. Cada um do seu lado, mas é o mar que me chama, é o mar que ama, é deserto em que me perco. É no deserto que me perco, nos meus sonhos, é no verde da mata que caminho à toa, é junto ao mar, ouvindo a sua canção, que entôo orações silenciosas, como se fosse o ouvido de Deus.

Um dia despertei. E quis não despertar do sonho.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não sei

Não sei já: por onde andei, quem amei (ou se amei), se tenho a alma aberta, se sonhos há por que valha a pena lutar.
Não sei o que dizer, não sei o que escrever. Só sei que sinto. Sinto muito e, no meu rosto, fica a seriedade de um dia de Inverno.
Amanhã é um novo dia. Daqui a pouco, tenho que ir trabalhar. E levo, dentro de mim, a certeza de que não sei. E de crer que nunca saberei.

Ilusão

Até que nos apercebemos de que não passa de uma ilusão.